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Especialistas defendem que profissionais de saúde não tratem relatos espirituais como “baboseiras”

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Especialistas defendem que profissionais de saúde não tratem relatos espirituais como “baboseiras” COMPARTILHE ESSA MATÉRIA Profissionais de saúde defenderam, nesta semana, em debate em Brasília (DF), que os relatos espirituais que cheguem aos consultórios não devem ser tratados como caso patológico ou como “baboseira”. A enfermeira e antropóloga social espanhola Laura Martínez afirmou que o bem-estar espiritual está ligado a uma melhor qualidade de vida, resiliência e melhor enfrentamento de doenças. Além disso, ela afirma que existe a necessidade de uma formação rigorosa para os profissionais da saúde tratarem desse tema.  Cuidado “É necessário contar com profissionais qualificados, pois o atendimento espiritual também pode trazer consequências negativas. Há a possibilidade de má prática, além de efeitos adversos, indesejados ou colaterais, assim como ocorreria na aplicação de qualquer outra técnica”, adverte Martínez. Ela esteve, de forma remota, em uma palestra do congresso científico Encuca, no Centro Universitário de Brasília (Ceub) Durante o debate, a professora Míriam Martins Leal destacou que o papel do psicólogo na clínica exige o abandono das próprias crenças para poder acolher e respeitar a realidade do outro. Ela ilustra com o caso de uma paciente em surto psicótico que temia o castigo divino devido ao divórcio. “Eu vou ser castigada porque eu não posso me separar. Eu quero, mas eu não posso ter isso porque Deus vai me castigar. E eu sei que ele vai me castigar. Eu não tenho salvação”, cita o relato da mulher. Reencarnação Na sequência, o médico de família e comunidade Eric Ávila apresentou o caso de um menino de Minas Gerais que, aos dois anos, alegava ser a reencarnação de um padre falecido em um acidente de trânsito. Eric explica que o estudo sistemático dessas ocorrências já soma mais de 60 anos de investigação acadêmica, iniciada pelo psiquiatra Ian Stevenson na Universidade de Virgínia.  O médico aponta que, embora muitas crianças manifestem sintomas de estresse pós-traumático na infância devido à carga emocional dos relatos, a maioria evolui com excelente qualidade de vida na idade adulta. Ele relembra que, ao ser questionada sobre a origem de suas lembranças, a criança respondeu: “Foi o coração”. Práticas clínicas Os palestrantes propuseram caminhos para profissionais de saúde lidarem com relatos em consultório. A recomendação orienta que o profissional avalie a criança sem pressupor imediatamente uma psicopatologia. Deve-se acolher a experiência como real e significativa, ou seja, validar as emoções e focar no sofrimento psíquico ou luto, em vez de se prender à veracidade.  O objetivo deve ser manter a criança segura e respeitar a dinâmica e o contexto cultural de cada família sem impor as crenças pessoais do terapeuta, que deve evitar posturas extremas como “Não, isso tudo é baboseira, não se trata de nada disso”. Por Júlia Harlley Supervisão de Luiz Claudio Ferreira Matérias relacionadas Tribunais absolvem réus por provas digitais frágeis, alerta delegado e pesquisador Associação com 200 idosos lamenta falta de recursos e quer compromissos além do período eleitoral Outubro Rosa: “o SUS salvou minha vida”, diz brasiliense que trata câncer de mama e se transformou em ativista pelas mulheres Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-SemDerivações 4.0 Internacional. Você tem o direito de: Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial. Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso. SemDerivações — Se você remixar, transformar ou criar a partir do material, você não pode distribuir o material modificado. A Agência de Notícias é um projeto de extensão do curso de Jornalismo com atuação diária de estudantes no desenvolvimento de textos, fotografias, áudio e vídeos com a supervisão de professores dos cursos de comunicação