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科研成果 · 原文收录 · Universidade de São Paulo · Jornal da USP

Nova abordagem para a educação física escolar valoriza autonomia e inclusão

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Nova abordagem para a educação física escolar valoriza autonomia e inclusão A ideia é que todas crianças possam desenvolver as capacidades físico-motoras – Foto: Reprodução / Escrevivências da Educação Física Cultural https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/10/EDUCACAO-FISICA-ESCOLAR_PROFo_FERNANDO-GARBELLOTO.mp3 Uma metodologia desenvolvida por pesquisadores da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFE-USP) propõe uma nova abordagem para as aulas de educação física escolar, com foco na autonomia dos alunos, na inclusão e no desenvolvimento das habilidades motoras. A iniciativa sistematiza diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e já foi aplicada em uma cidade de Portugal. No Brasil, está em fase de diagnóstico em escolas públicas de Matão e São José do Rio Pardo, no interior paulista. O objetivo é fazer com que os estudantes desenvolvam autonomia para praticar atividades físicas e compreendam também o contexto cultural e histórico das modalidades esportivas. Segundo Fernando Garbelotto, professor da EEFE-USP e um dos responsáveis pelo estudo, a proposta foi elaborada por pesquisadores do Laboratório de Comportamento Motor (Lacom), em parceria com a Universidade do Porto, e está alinhada à agenda de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Fernando Garbelotto – Foto: Reprodução “O mundo hoje está preocupado com o que alguns pesquisadores chamam de pandemia do sedentarismo. A gente sabe que isso começa na infância. Uma criança com hábitos sedentários tem muito mais chance de se tornar um adulto com hábitos sedentários. Atrelado a esse sedentarismo, vem o aumento do sobrepeso e da obesidade”, explica Garbelotto. Além de contribuir para a prevenção do sedentarismo, a atividade física pode favorecer a saúde mental e o desenvolvimento de competências socioemocionais. A proposta é que, ao ampliar a autonomia dos estudantes, as aulas também aumentem a motivação das crianças para participar de brincadeiras e atividades escolares. Autonomia e desenvolvimento motor Durante o doutorado de Garbelotto, a metodologia foi testada em uma cidade portuguesa, onde continua sendo utilizada. No Brasil, o projeto está em fase de diagnóstico nas escolas públicas de Matão e São José do Rio Pardo. O método combina diferentes abordagens, entre elas a desenvolvimentista, que considera as etapas da vida para orientar o desenvolvimento de habilidades. Outro princípio é a autonomia na aprendizagem, que coloca o aluno no centro do processo de ensino. “Resumindo bem o método, ele parte de algumas abordagens. Uma delas é a desenvolvimentista, para entender em que fases da vida a gente deveria potencializar o desenvolvimento de alguns domínios em detrimento de outros. Outra questão é a autonomia da aprendizagem: o aluno se torna ponto central nesse processo de ensino e aprendizagem. Então, várias situações são colocadas para os alunos para que eles se sintam mais motivados a participar”, afirma o pesquisador. A metodologia também considera a heterogeneidade das turmas e a necessidade de respeitar as diferenças entre os estudantes. A intenção é que as aulas contemplem diferentes níveis de habilidade, permitindo que cada criança desenvolva seu potencial. “A ideia é que nenhuma criança fique para trás, para que a gente possa explorar o máximo do potencial de cada criança por meio do reconhecimento do que a gente chama de restrições”, diz Garbelotto. Inclusão nas aulas Segundo o pesquisador, as crianças não desenvolvem habilidades motoras da mesma maneira, e as oportunidades de aprendizagem também podem variar. Ele cita como exemplo as meninas, que muitas vezes recebem menos estímulos para desenvolver o controle de objetos, como chutar e lançar uma bola. “E a gente já está vendo, nos estudos do mundo inteiro, o impacto negativo no desenvolvimento dessa criança que não domina essas habilidades. Portanto, a gente estruturou um método de uma forma em que meninos e meninas apresentam desempenhos semelhantes”, explica. Para Garbelotto, o planejamento das aulas deve considerar todos os estudantes, e não apenas aqueles que já gostam de esportes ou apresentam bom desempenho. A proposta busca criar condições para que também os alunos que precisam de mais estímulo se envolvam nas atividades e desenvolvam suas habilidades. A expectativa dos pesquisadores é consolidar os resultados da iniciativa para que a metodologia possa ser adotada por escolas de diferentes regiões do País. A proposta é oferecer aos professores uma estrutura para planejar e avaliar as aulas sem comprometer sua autonomia didática, contribuindo para que mais crianças desenvolvam habilidades motoras e encontrem motivação para praticar atividades físicas dentro e fora da escola. Jornal da USP no Ar Jornal da USP no Ar é veiculado pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 12h40, 15h, 16h40 e às 18h. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9. Ouça também pelo link ou pelos agregadores de podcasts à disposição.