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Fraudes digitais contra pessoas idosas crescem quase 21 vezes em cinco anos, aponta estudo da Unifesp
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Fraudes digitais contra pessoas idosas crescem quase 21 vezes em cinco anos, aponta estudo da Unifesp
Os registros policiais de fraudes digitais contra pessoas com 60 anos ou mais passaram de 184, em 2019, para 3.818, em 2024, no Ceará. Em cinco anos, o número tornou-se quase 21 vezes maior, segundo estudo realizado pela da Escola Paulista de Enfermagem da Universidade Federal de São Paulo (EPE/Unifesp) - Campus São Paulo, e publicado na revista científica Frontiers in Public Health.
A pesquisa analisou 12.413 ocorrências registradas no Estado entre 2015 e 2025. O crescimento se intensificou a partir de 2020, e somente os anos de 2023 e 2024 concentraram 55,2% de todos os casos da série. A análise estatística, realizada com os dados completos de 2019 a 2024, estimou um acréscimo médio de 697 registros por ano.
O avanço ocorre em um país que envelhece e amplia rapidamente sua presença no ambiente digital. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (BGE), o Brasil tinha 34,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2024, ante 22 milhões em 2012, crescimento de 53,3% em 12 anos.
No mesmo sentido, a proporção de pessoas idosas que utilizavam a internet passou de 44,8%, em 2019, para 69,8%, em 2024. O aumento de 25 pontos percentuais foi o maior entre todas as faixas etárias analisadas pelo IBGE.
“Os dados mostram que o crescimento das notificações se torna mais acentuado justamente no período em que o uso de serviços digitais se expande entre as pessoas idosas. A pesquisa não estabelece uma relação direta de causa e efeito, mas evidencia que a inclusão digital precisa ser acompanhada por medidas de proteção adequadas a esse público”, explica Meiry Fernanda Pinto Okuno, orientadora do estudo e docente da EPE/Unifesp.
O perfil das ocorrências também trouxe resultados relevantes. As mulheres representaram 55% das vítimas, e a idade média foi de 67,1 anos. Sete em cada dez pessoas tinham entre 60 e 69 anos: 40,7% estavam na faixa de 60 a 64 e 30,1%, entre 65 e 69.
A escolaridade foi outro dado que chamou a atenção. Entre os registros que continham essa informação, 39,9% das vítimas tinham ensino superior e 28,2%, ensino médio. O resultado contraria a percepção de que as fraudes digitais atingem apenas pessoas com pouca escolaridade ou baixa familiaridade com a tecnologia.
“A presença expressiva de pessoas com ensino médio e superior entre as vítimas indica que a vulnerabilidade não pode ser explicada somente pela escolaridade. Os golpes também exploram fatores comportamentais e sociais, como confiança, percepção de risco, urgência e formas de interação no ambiente digital”, observa Okuno.
Na distribuição territorial, Fortaleza concentrou 65,7% das ocorrências, seguida pela Região Metropolitana, com 9,8%. Os municípios do interior responderam por 24,5% dos casos. Para os pesquisadores, a concentração na capital pode estar relacionada à maior conectividade, ao uso de serviços financeiros digitais e ao acesso aos canais de denúncia. A presença de quase um quarto dos registros no interior, porém, indica que o problema também acompanha o avanço da conectividade fora dos grandes centros.
O estudo utiliza dados oficiais de segurança pública, mas os(as) próprios(as) autores(as) alertam que os registros policiais podem não representar a dimensão real das fraudes. Muitas vítimas deixam de denunciar por vergonha, desconhecimento, receio de perder autonomia ou dificuldade de acesso aos canais oficiais.
Os números de 2025 também não foram incluídos na análise de tendência porque estavam incompletos no momento da coleta. Além disso, por se concentrar no Ceará, a pesquisa não permite afirmar que o mesmo crescimento ocorreu em todo o país. Ainda assim, oferece um recorte consistente sobre as transformações recentes das fraudes digitais contra pessoas idosas e reforça a necessidade de integrar segurança pública, saúde, assistência social e educação digital.